Os efeitos do estresse crônico são comumente
associados ao estilo de vida acelerado de grande parte da população. Ele é
considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a epidemia do século e o
motivo de 90% das consultas médicas. Porém, é difícil pensar em formas de
desacelerar a vida nos tempos de hoje. O homem moderno precisa gerenciar
diversas responsabilidades ao mesmo tempo; trabalho, casa, vida dos filhos, relação
conjugal, problemas financeiros e de saúde. E, ainda, é obrigado a conviver em
ambientes, principalmente o de trabalho, geralmente, caracterizados pela desconfiança,
ansiedade e hostilidade. Diante de tantas demandas, como administrar a vida sem
adoecer pelos efeitos do estresse?
Ao contrário do que o lugar comum imagina, estudos da
neurociência afirmam que o estresse não é, necessariamente, prejudicial à
saúde. Pelo contrário, ele é uma importante resposta biológica para a
sobrevivência. Diante de uma ameaça, o corpo precisa reagir para se defender; os
batimentos cardíacos e a respiração aceleram, a temperatura corporal aumenta, a
mente ganha foco, a atividade do sistema imunológico é reforçada e o sangue
flui para os músculos periféricos para que nós possamos lutar com a ameaça ou
correr dela. Se o corpo não reage e permanece apático diante do perigo, ele é
atacado.
Esta resposta biológica foi desenvolvida ao longo dos
milhões de anos de evolução no planeta. Antigamente, o homem precisava dela
para fugir de um leão, por exemplo. Hoje, esta resposta é utilizada de forma
muito mais frequente, em variados contextos como o meio familiar, trabalho e trânsito.
O homem moderno parece viver sob constante pressão e alerta.
Ainda assim, pesquisadores defendem que o problema
não está no estilo de vida acelerado, na ambição, competitividade ou nos
desafios que o dia a dia nos proporciona, mas na forma como cada um de nós
reage à vida. O estresse prejudicial ocorre quando se reage com hostilidade. Esse
é o problema!
O significado que damos às nossas experiências ativa
diferentes estados emocionais e estes, como diz a neurologista Candace Pert,
são acompanhados de uma cachoeira de moléculas de emoção (hormônios e
neurotransmissores) a qual afeta todas as células do nosso corpo. No caso da hostilidade, essas moléculas
correspondem ao cortisol. Em excesso, esse hormônio é tóxico; afeta a cognição,
a memória e enfraquece o sistema imunológico, responsável pela defesa do
organismo. Assim, surgem os famosos efeitos do estresse crônico, como os
problemas cardiovasculares, a gastrite, insônia, diabetes e enxaquecas.
Para lidar com o estresse é importante saber que da
mesma forma que as emoções negativas são acompanhadas de moléculas bioquímicas
tóxicas para o nosso organismo, as emoções positivas geram um “coquetel” de
hormônios e neurotransmissores benéficos para a nossa saúde.
Por isso, uma das medidas para gerenciar o estresse,
é alimentar emoções positivas através do contato com amigos, músicas que levem
a estados emocionais agradáveis, exercícios físicos, massagens e carinhos.
Também, pesquisas em neurociências da Universidade de Duisburg-Essen (Alemanha)
e de Nova York, evidenciaram que a prática regular da respiração diafragmática,
associada a exercícios físicos do Yoga (Ásanas), reduzem os níveis de cortisol
e, consequentemente, o estresse. Alguns pesquisadores chegaram a comparar o efeito
destas práticas ao uso de medicamentos como os benzodiazepínicos (Rivotril,
Lexotan, Diazepan e Frontal), utilizados para controlar transtornos de
ansiedade.
Uma vez que a secreção de hormônios está relacionada
aos estados emocionais e estes à forma como interpretamos as situações do dia a
dia, cabe a todos procurar uma forma mais positiva de vivenciar os desafios que
a vida nos oferece encarando estes como valiosas oportunidades de
desenvolvimento.

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