A tristeza, talvez, seja um dos estados de espírito de que as pessoas mais se esforçam para se livrar. Geralmente, quando estamos tristes, perdemos o prazer em realizar as atividades do nosso dia a dia, encontramos uma enorme dificuldade em cumprir com as nossas responsabilidades ou iniciar coisas novas e a nossa atenção costuma ficar presa exatamente àquilo que nos faz tristes.
Em alguns casos, esse sentimento assume proporções maiores e se tornam grandes depressões; qualquer recomeço parece ser impossível, a vida fica paralisada e perde o seu sentido. Diante de momentos como esse, recursos como a psicoterapia e a medicação podem se tornar muito valiosos e necessários.
Embora ninguém a queira, a tristeza faz parte da condição humana assim como a raiva, o medo, a alegria, o prazer e o êxtase. E para que a tristeza possa ser dissolvida e ir embora, ela não deve ser suprimida sem que ouçamos o que ela tem a nos dizer.
Muitos de nós aprendemos, desde pequenos, a escondê-la. Não nos ensinam acolher e amar esta parte de nós mesmos. É preciso olhar com olhos de amor e cuidar das nossas dores para que elas parem de doer. Em Canção de enganar tristeza, Vinícius de Moraes e Baden Powel dizem: “Se a tristeza um dia/ Te encontrar triste sozinho/ Trata dela bem/ Porque a tristeza quer carinho/ (...) E dá-lhe um amor tão lindo/ Que quando ela se for indo/ Ela vá contente/ De ter tido o teu carinho”.
A escuta, o acolhimento e a compreensão da tristeza são passos importantes para podermos transformar os aspectos necessários em nossa vida, mas este momento deve ter a sua medida para que a tristeza não fique sendo ruminada e cultivada além do necessário. É importante criar estratégias que de fato nos tirem do estado deprimido.
Segundo Diane Tice, psicóloga da Florida State University, buscar a vida social é uma tática efetiva para a cura da depressão. Os grupos sociais, além de proverem apoio e carinho, podem favorecer acontecimentos agradáveis, que mudam o estado de espírito e que distraem a pessoa deprimida.
Outro método construtivo é armar situações que possibilitem pequenos sucessos, como resgatar atividades prazerosas há tempo esquecidas. Eventos empolgantes como uma partida esportiva, um show, ou a leitura de um livro edificante ou um filme cômico, também podem contribuir.
Segundo os estudos de Diane Tice, prestar ajuda às pessoas que necessitam e se empatizar com o sofrimento delas é um dos mais poderosos métodos para curar a depressão.
Enfim, a tristeza ou, em alguns casos, a depressão, nos convida a repensar e recriar nosso modo de viver. Os desafios são inerentes à vida e podem ser valiosas oportunidades para descobrirmos nossas forças mais profundas. Ao contrário do que muitos pensam, a felicidade não é a ausência de sofrimento, mas é o estado de espírito que nos leva a viver os desafios da vida com entusiasmo, com coragem para ir além, ao encontro de novos desafios.
Autora: Camila S Mayor Fabre - Artigo publicado no Informativo Bem Informado - Ano VIII - Nº 78 - Maio/Junho de 2013
* Adaptado do texto publicado aqui no blog em 16/02: Onde mora a felicidade?
Autora: Camila S Mayor Fabre - Artigo publicado no Informativo Bem Informado - Ano VIII - Nº 78 - Maio/Junho de 2013
* Adaptado do texto publicado aqui no blog em 16/02: Onde mora a felicidade?
